1Seleção de árbitros IBSA
- Os candidatos a árbitro IBSA devem estar em atividade como árbitros da IJF.
- Para Campeonatos Mundiais IBSA, eventos conjuntos IJF/IBSA, Grand Prix IBSA, Jogos Mundiais e Jogos Paralímpicos, a indicação será feita pela Comissão de Arbitragem da IJF em colaboração com a Comissão de Arbitragem da IBSA.
- O árbitro IBSA deve ser qualificado nas regras IBSA pela respectiva comissão.
- Para Campeonatos Mundiais e Jogos Paralímpicos, deve possuir ao menos duas classificações vigentes reconhecidas pela Comissão de Arbitragem de Judô da IBSA.
Espírito do Kodokan: os atletas devem lutar com as duas mãos, empregar técnicas apropriadas ao judô Kodokan, buscar o Ippon e demonstrar atitude combativa, agressiva no sentido esportivo e respeitosa.
2Duas categorias de atletas: J1 e J2
J1 identifica o atleta cego e utiliza um círculo vermelho de 7 cm de diâmetro no backnumber do judogi. J2 identifica o atleta com deficiência visual/baixa visão.
J1 e J2 não competem entre si. Quando não houver participantes suficientes para formar dois eventos separados de medalha, será possível adotar exceção mediante consulta e acordo entre as partes responsáveis.
● J1 · cego● J2 · baixa visão
3–6Condução, controle e entrada na área
- O árbitro fica na borda da área, de frente para o Joseki.
- O treinador conduz o atleta até o árbitro. Se não puder, a equipe local fará a condução.
- Os atletas ficam à esquerda e à direita do árbitro. O árbitro os auxilia a segurar seu braço/cotovelo e todos fazem a reverência ao comando verbal “REI”.
- Somente atletas J1, ou aqueles que exigirem atenção especial, são conduzidos pelo árbitro. Após a reverência, seguem em linha reta para a posição inicial.
- Em princípio, J2 caminha ao lado do árbitro sem segurá-lo. Se precisar, pode ser assistido.
7Posição inicial e Kumi-kata
Com ambos na posição inicial, o árbitro anuncia Kumi-kata. Os atletas avançam e seguram o judogi com as duas mãos. Trata-se somente de estabelecer a pegada, não de iniciar a luta.
- Pegada normal: uma mão na manga e a outra na lapela oposta, entre a clavícula e a ponta do esterno.
- Não é permitido usar a outra mão para auxiliar a obtenção da pegada.
- Pode-se segurar toda a manga, exceto sua extremidade. Não se pode segurar o pescoço ou o ombro; a mão deve ficar abaixo da clavícula.
- Os braços não devem ficar estendidos. A postura deve estar correta, cabeça erguida, sem inclinar-se.
- Ambos respondem pela posição correta. O árbitro pode orientar pés e direção para alcançar o Kumi-kata.
- Perna, pegada ou cabeça incorretas geram primeiro uma advertência. Cada atleta deve permitir a pegada do adversário.
8–12Kumi-kata, Shido e contato com as pernas
O Shido pode ser aplicado por:
- Alterar a pegada antes de Hajime.
- Evitar a pegada na posição inicial, durante o comando Kumi-kata.
- Adotar postura curvada ou manter a cabeça baixa no início.
- Posicionar incorretamente as pernas.
- Alterar novamente a pegada depois da correção feita pelo árbitro.
Problemas no Kumi-kata
- Somente em questões relativas ao Kumi-kata o árbitro instruirá os atletas.
- Primeiro, o atleta de branco, Shiro, recebe permissão para estabelecer sua pegada; depois, o atleta de azul, Ao. Na ocasião seguinte, a ordem é invertida.
- Se qualquer atleta voltar a alterar a pegada, o árbitro cancela o Kumi-kata e aplica Shido ao responsável.
Pegada com as duas mãos
Para atletas com deficiência visual, é indispensável lutar mantendo ambas as mãos na pegada. Se um atleta perder o contato de uma ou das duas mãos, o árbitro deve anunciar Matte imediatamente. Romper uma pegada deve ser seguido diretamente pela retomada da pegada; romper com as duas mãos deve ser seguido diretamente por ataque.
A pegada com uma mão não recebe Shido somente quando for imediatamente seguida por ataque, pela mudança para outra pegada de duas mãos ou por tentativa evidente e imediata de segurar novamente.
Será Shido romper deliberadamente o Kumi-kata sem tentar restabelecê-lo, ou puxar o braço para trás de modo a impedir que o adversário segure a manga.
Contato com as pernas
Aplica-se o mesmo sistema da IJF, considerando a deficiência visual. Se o contato for incidental para proteção do corpo ou consequência da perda de equilíbrio, não haverá penalidade.
13–15Transição, limite da área e Jogai
Do trabalho de solo para a posição em pé
- J1: se um ou ambos fizerem a transição do solo para a posição em pé, o árbitro anuncia Matte.
- J2: a transição é permitida quando estiverem frente a frente, segurando-se com as duas mãos e nenhum possuir posição de vantagem.
Na borda da área
- J1 ou J2 com os dois pés fora da área está efetivamente fora.
- Em regra, J1 não deve ser penalizado pela saída. Entretanto, se recuar repetidamente em linha reta até sair para evitar a luta, poderá ser penalizado.
- J1, J2 e atletas surdos ou com deficiência auditiva podem ser penalizados quando sair repetidamente constituir um método de fuga.
- O atleta J2 que sair sem ação e intencionalmente receberá Shido.
Dê tempo suficiente para que os atletas mudem de direção na borda. A arbitragem deve demonstrar sensibilidade às necessidades dos atletas cegos e surdos.
Jogai
Quando os atletas se aproximarem da área de segurança, o árbitro se move em direção ao centro e anuncia JOGAI! repetidamente e em voz alta. Deve permanecer em posição central, na linha entre os atletas e o centro, para que eles se orientem pela voz e mudem a direção.
16–21Sinais, Matte, judogi e técnicas
Sinais de pontuação ou penalidade
Além do gesto e do termo convencionais, o árbitro anuncia SHIRO (branco) ou AO (azul).
Matte
- O árbitro deve ficar suficientemente próximo dos atletas.
- Após Matte, acompanha ou conduz os atletas às posições iniciais. A condução é feita para J1 com círculo vermelho e para quem precisar ou desejar.
- Hajime e penalidades são sempre dados a partir da posição inicial, para orientação.
- Quando um atleta estiver em Ne-waza e for necessário anunciar Matte, permita que se levante sozinho.
Judogi correto
Durante Matte, os atletas devem ajustar o judogi. Os treinadores devem orientá-los. O árbitro deve considerar que o atleta não consegue ajustá-lo enquanto está sendo conduzido.
Técnicas e defesa
- Reverse Seoi Nage: não permitido; penalidade de Shido.
- Uso da cabeça ou defesa com a cabeça: não permitido; penalidade de Shido.
- Pisar no pé do adversário — J1: primeira vez, advertência; segunda, Shido; terceira, Hansoku-make.
- Pisar no pé do adversário — J2: primeira vez, advertência; segunda, Hansoku-make.
22–24Fim da luta, atuação do treinador e ausência
Fim do combate
- O árbitro indica o vencedor e anuncia Shiro ou Ao.
- Conduz os atletas à reverência com o comando REI.
- Coloca-se entre os atletas e gira, ficando de costas para o Joseki.
- Conduz J1 e caminha com os atletas até a borda da área.
Treinadores
- O treinador pode orientar durante toda a luta, exclusivamente para orientação e segurança. Compreende-se que J1 necessita de maior atenção.
- Somente um treinador pode atuar, sentado no box destinado à função.
- Gritos e comemorações constantes não são permitidos. Exige-se comportamento respeitoso.
- Se o treinador anunciar termos de arbitragem, dirigir comentários ao árbitro, agir com impertinência ou contra o espírito do judô, aplica-se o procedimento previsto nas regras IJF.
Atleta que não comparece
Após a primeira chamada, se apenas um atleta estiver no tatame, a chamada é repetida em dois intervalos de 30 segundos. Trinta segundos após a segunda chamada, o atleta presente vence por Fusen-gachi.
Atenção especial e observações gerais
- J1 necessita de mais tempo para iniciar sua ação. Sua percepção difere da de J2, e o árbitro deve estar permanentemente atento a isso.
- Árbitro e juízes podem penalizar em qualquer circunstância, especialmente quando o interesse e a proteção dos atletas cegos ou com deficiência visual não forem respeitados.
- Quando estas regras IBSA não estabelecerem uma exceção, aplicam-se as regras IJF.
- As necessidades adicionais dos atletas com deficiência visual ou auditiva devem ser respeitadas durante toda a competição.
- O árbitro não deve tocar o atleta quando isso não for realmente necessário.
24–27Adaptações para atletas com deficiência auditiva
Identificação no judogi
O atleta com deficiência auditiva usa um círculo amarelo de 7 cm no backnumber. Quando também for J1, usa os círculos amarelo e vermelho.
Início e interrupção
- Para auxiliar a reverência, o árbitro aplica leve pressão com a mão entre os ombros e anuncia REI, permanecendo próximo.
- Para HAJIME, dá simultaneamente um toque nos ombros de ambos.
- Para MATTE, dá dois toques na escápula.
Pontuações e penalidades na palma da mão
IpponDesenhar a letra I.
Waza-ariDesenhar a letra W.
YukoDesenhar a letra Y.
Cancelar pontuação ou indicar penalidadeDesenhar a letra X.
Primeiro ShidoTocar o dorso da mão com um dedo.
Segundo ShidoTocar o dorso da mão com dois dedos.
Hansoku-makeDesenhar a letra H na palma.
Saída da área
O atleta surdo não ouve Jogai. Se também for J1, normalmente não recebe Shido por sair. Excepcionalmente, quando sair imediata e repetidamente sem atacar, o árbitro o adverte girando o punho fechado na palma da mão do atleta, sinalizando que a próxima ocorrência será penalizada. Para indicar a penalidade de saída, faz o gesto normal de Shido e traça uma linha vertical do punho em direção aos dedos.
Tempo e Golden Score
- Último minuto: desenhar um círculo no sentido horário sobre o punho.
- Golden Score: desenhar o mesmo círculo e, em seguida, um sinal de mais.
- Sonomama–Yoshi: aplica-se a regra IJF, considerando a limitação do atleta.
Observações finais
- O árbitro somente toca o atleta quando realmente necessário.
- Osaekomi é anunciado da forma tradicional, seguido de Shiro ou Ao.
- Mesmo que o atleta com círculo amarelo não seja completamente surdo, todos os gestos regulamentares devem ser feitos.
- Os procedimentos devem assegurar oportunidades equivalentes às de um atleta sem deficiência auditiva, e todos os gestos devem ser visíveis para eventual protesto.
- Ao informar pontuação ao atleta surdo, o árbitro desenha I, W ou Y na palma e gira o sinal em direção ao peito de quem marcou.
- O treinador também deve informar ao árbitro que o atleta é surdo, apontando para a orelha ao levá-lo à borda do tatame.
Fonte e observações
Documento-base: IBSA Judo Rules 2025–2028, atualização de junho de 2026. Esta página é um guia de consulta em português. Em caso de divergência, prevalecem o documento oficial vigente, as regras IJF aplicáveis e as orientações da coordenação de arbitragem.